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Sou Anna Cláudia e me formei em Psicologia em 2002, na UFMG. Fazer uma apresentação da minha trajetória profissional é dizer de vários caminhos e um tanto de encontros. Sou uma pessoa apaixonada pelo conhecimento, pelas pessoas e pelas possibilidades de mudança que as relações nos permitem. O nós e voz é uma junção das minhas trajetórias, criando uma paisagem integrada com as várias peças que compuseram meu caminho até agora:

 

Trajetória na Educação e na Educação em Sexualidade

Em 1998, paralelamente à graduação em Psicologia, cursei o Magistério no Centro de Formação de Educadores Balão Vermelho. Lá pude discutir diferentes concepções de educação e como a educação criativa e emancipatória permite a formação de sujeitos mais interessantes. Naquela época, o curso de magistério pós-Ensino Médio era suficiente para ser professora da Educação Infantil e das séries iniciais do Ensino Fundamental.

Em 1999 e 2000, fui professora da 1a série do Ensino Fundamental (hoje 2o ano) na Escola Educ, no município de Nova Lima, dirigida pelos queridos Sr. Daniel Antipoff e Dona Otília Antipoff. Como aprendi ali!

No final do ano 2000 fiz o curso de formação do Programa de Educação Afetivo Sexual (PEAS) e vivi uma experiência que seria definidora de vários caminhos que seguiria daí pra frente.
Em 2003, comecei a trabalhar na Martins Pereira, consultoria responsável pelo PEAS- Vale, que atuava em municípios da área de abrangência da empresa. Meu trabalho era tanto na formação dos educadores para o trabalho com sexualidade quanto diretamente com os jovens. O nome do programa mudou para “Vale Juventude” mais pra frente. Trabalhei nove anos na Martins Pereira e atuei em mais de 10 municípios de Minas Gerais e em Vitória, no Espírito Santo. Foram anos intensos de aprendizagem e encontros com saberes e vivências de profissionais e jovens incríveis espalhados nos diversos municípios.

A partir da experiência no Vale Juventude, em 2012 passei a integrar a equipe de educação da Fundação Vale, onde trabalhei até o início de 2017. Na Fundação Vale pude aprender sobre gestão da educação pública, articulação de parcerias e a importância de posicionamentos institucionais sobre as questões da diversidade. Conheci o Maranhão, o Pará, Sergipe, várias cidades do interior de Minas Gerais e Espírito Santo, ampliando minha visão sobre as especificidades regionais do nosso país. Participei ativamente de vários projetos colaborando na concepção, implementação, gestão e avaliação. Foram anos de muita aprendizagem e crescimento.

Outra experiência marcante nesse caminho foi minha atuação como professora no Colégio Santo Antônio. Entre 2006 e 2008, fui professora no Colégio Santo Antônio (onde estudei também a minha vida toda, com muito orgulho) atuando com o tema “Desenvolvimento Humano” dentro do projeto “Oficinas de Convivência e Cidadania”. As temáticas da sexualidade eram minha responsabilidade e atuei com mais de 800 estudantes do Ensinos Fundamental e Médio.

Também é importante destacar minha experiência no “Fica Vivo”, programa do Governo de Minas Gerais para fortalecer redes comunitárias e articular ações socioeducativas junto a juventude de comunidades com alta vulnerabilidade social. Coordenei o Núcleo do Fica Vivo na Pedreira Prado Lopes entre 2004 e 2005 e conheci pessoas incríveis! A PPL ficou gravada no meu coração.

Trajetória Clínica

Atuo como psicoterapeuta desde 2002, atendendo crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Em BH, comecei atendendo na Praça ABC e depois tive um consultório na Rua Padre Odorico. Mudei para Viçosa e atendi no centro da cidade. Voltei para BH e atendi na região hospitalar. Em cada um desses cenários tive a honra de testemunhar histórias de vida recheadas de tudo aquilo que as vidas tem: dores, amores, lutas, conflitos, reconciliações…

Me colocar a disposição para escutar outras pessoas exige que eu esteja sempre atenta a mim mesma, às minhas dores, aos meus conflitos e descobertas. Por isso, durante minha vida fiz diferentes processos psicoterapêuticos, desde psicanálise a terapia breve. Isso, sem dúvida, foi e é crucial na minha formação.

Cursos e formações também são constantes em minha busca. Ainda no final da graduação em Psicologia, comecei a formação em terapia familiar sistêmica. A partir dessa formação conheci o Psicodrama, uma das minhas grandes paixões. Finalizei a especialização em Psicodrama, no IMPSI, em 2007. Desde então, sou professora na pós-graduação do IMPSI, sendo responsável pelos módulos ‘Psicodrama e Sexualidade’ e ‘Psicodrama e Relações de Gênero’. A partir de 2015, assumi também a disciplina ‘Metodologia de Pesquisa’ e ‘Elaboração de Monografia’.

Em 2018, finalizei o curso de Coaching e Aconselhamento pela Academy for Counselling and Coaching  na Holanda, onde morei por um ano entre julho de 2017 e julho de 2018. No curso em Haia pude aprender com colegas de mais de oito países, trocando experiências e crescendo juntas na aventura de se colocar à disposição para escutar de forma genuína pessoas que estejam com questões em sua vida. A experiência de conhecer outras culturas e perceber o quanto somos semelhantes e ao mesmo tempo diferentes foi essencial para ampliar minha capacidade empática. Escolhi como tema de aprofundamento para o trabalho final em Haia a questão do apoio às famílias durante o processo de “coming out” ou “saída do armário” de jovens homossexuais. Existem muitas iniciativas lindas sendo feitas para apoiar as famílias a entenderem esse processo de uma forma menos preconceituosa.

Orientar famílias sobre os temas da sexualidade também tem sido uma forma de atuação clínica que tenho desenvolvido. Após a publicação do artigo de Valéria Mendes sobre masturbação infantil em que dei entrevista, várias famílias tem me procurado para conversar sobre esse tema. A orientação familiar não chega a ser uma psicoterapia, mas permite que questões sejam elucidadas e que a família caminhe com mais serenidade no campo da sexualidade.
Ser terapeuta é uma escolha que me move.

Trajetória Acadêmica

Sempre fui muito curiosa e sempre gostei de estudar. Assim, desde muito cedo na faculdade comecei a vislumbrar a carreira acadêmica como um caminho possível. Durante a graduação, fiz Iniciação Científica e participei de vários Projetos de Extensão ligados ao curso de Psicologia da UFMG.

Logo que formei, entrei para o mestrado em Psicologia Social na UFMG, estudando as violências nas escolas situadas em favelas de Belo Horizonte. Foi um processo desafiador de contato com a dureza da violência e da desigualdade social.

Terminado o mestrado, parti para uma especialização em Psicodrama, que me auxiliou a aprofundar um outro braço da minha curiosidade: a clínica psicodramática. Finalizei esta pós-graduação lato sensu em 2007.

E continuei estudando, trabalhando e me perguntando sobre o que eu queria.  Após algumas caminhadas veio a clareza de que gostaria de fazer o doutorado em Educação, estudando formação de educadoras para o trabalho com sexualidade. Fiz o doutorado também na UFMG, entre os anos de 2010 e 2014. O doutorado foi um momento incrível de estudar e sistematizar a prática que vivia. Ao compreender caminhos vividos por outras pessoas fui ressignificando meu próprio caminhar. Estar na Faculdade de Educação da UFMG também foi ímpar. A FAE é um espaço dinâmico, múltiplo, colorido e vibrante onde aprendi muito.

A paixão pela sala de aula e pelos processos educativos me levaram a uma carreira como professora universitária cheia de alegrias. Desde 2002 lecionei em várias faculdades (PUCMinas, Univiçosa, Unincor, Faculdade Metropolitana) e o ambiente da sala de aula é um dos meus lugares preferidos: seja como estudante ou como professora, adoro estar em sala de aula.

Para mais detalhes, acesse meu Currículo Lattes, que reúne todas as informações sobre minha trajetória e minhas produções acadêmicas.

Minha tese de doutorado chama-se “Movimentos e articulações: uma análise das iniciativas de formação de educadoras/es em sexualidade na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte (1989-2009)” e foi orientada por Julio Emilio Diniz Pereira.

Uma síntese deste trabalho foi publicada como capítulo do livro “PRODOC: 20 anos de pesquisas sobre a profissão, a formação e a condição docentes”, lançado em 2017 pela Editora Autêntica.